Novas normas ampliam a abordagem da internacionalização e fortalecem ações de ensino, pesquisa, extensão e gestão
O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) passou a contar com novas diretrizes para suas ações de internacionalização, política linguística e Centros de Línguas (CeLin). Publicadas em 22 de setembro, as três portarias atualizam normas que estavam em vigor e ampliam a articulação internacional com as atividades de ensino, pesquisa, extensão, cultura, inovação e gestão institucional.
A atualização da Política de Internacionalização foi estabelecida pela Portaria nº 6.049/IFSP, que também revoga a Portaria nº 4.557, de 11 de dezembro de 2019. Segundo o documento, a revisão foi motivada pelas transformações institucionais, acadêmicas e sociais ocorridas desde a publicação da norma anterior e pela necessidade de atualizar princípios, diretrizes, objetivos e ações prioritárias.
O processo de revisão foi desenvolvido ao longo de 2025 por um Grupo de Trabalho formado por representantes de diferentes unidades e pessoas com experiência na área. A proposta passou por consulta pública junto à comunidade do IFSP e foi também analisada por núcleos e instâncias relacionadas à inclusão, diversidade e relações étnico-raciais. O documento destaca que esse processo buscou ampliar a representatividade e a aderência da política às características e às necessidades de uma instituição pública, multicampi e socialmente referenciada.
Internacionalização como dimensão transversal
A nova política amplia o entendimento da internacionalização no IFSP. O conceito passa a contemplar ações articuladas entre comunidades acadêmicas e não acadêmicas, envolvendo o compartilhamento de conhecimentos, culturas, práticas inovadoras e responsabilidades sociais. A internacionalização é apresentada como uma dimensão transversal que envolve ensino, pesquisa, extensão e gestão, incluindo ações de internacionalização em casa e atividades transfronteiriças.
Entre os princípios estabelecidos estão a democratização das atividades de internacionalização, o respeito aos direitos humanos e à diversidade linguístico-cultural, a acolhida e integração de pessoas em situação de vulnerabilidade ou mobilidade humana forçada, a reciprocidade nas parcerias e o compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).
A política também estabelece como diretrizes a universalização das ações de internacionalização e sua transversalidade, abrangência e verticalização nos diferentes setores da instituição, relacionando as demandas locais à projeção do IFSP no cenário internacional. Entre os objetivos estão ampliar a formação da comunidade, garantir acesso e transparência às ações, fortalecer a internacionalização nas atividades de ensino, pesquisa, extensão e gestão e fomentar atividades interculturais, bolsas e ações relacionadas à Política Linguística.
No ensino, a nova política prevê, entre outras ações, o incentivo à colaboração com instituições internacionais, o reconhecimento de atividades em línguas estrangeiras, a oferta de atividades com Língua Estrangeira como Meio de Instrução (LEMI), a disponibilização de documentos em outros idiomas, a internacionalização dos currículos e o estímulo à cotutela, à dupla diplomação, ao intercâmbio virtual e à mobilidade estudantil.
Na pesquisa, estão previstas ações de cooperação internacional, participação em redes, programas e editais internacionais, estímulo à produção científica e à participação em eventos internacionais, captação de recursos e apoio às demandas linguísticas e culturais relacionadas a projetos de pesquisa e inovação. Na extensão, a política prevê parcerias internacionais, atividades acadêmicas, científicas e culturais, fortalecimento dos CeLins e projetos que ampliem a participação de estudantes em atividades internacionais.
Na área de gestão, a Coordenação de Relações Internacionais (Arinter) passa a ser indicada como ponto articular das ações de internacionalização entre as pró-reitorias e demais setores. A política também prevê representantes de internacionalização nos diferentes setores e campi, capacitação linguística de servidores, divulgação de informações institucionais em diferentes línguas e a implantação de mecanismos para registro, acompanhamento e avaliação das ações.
A nova Política de Internacionalização terá validade de quatro anos, prevista reavaliação para eventual prorrogação ou edição. A Portaria nº 6.049 entrou em vigor na data de sua publicação e revogou expressamente a norma de 2019.
Nova Política Linguística
Em articulação com a Política de Internacionalização, o IFSP também atualizou sua Política Linguística por meio da Portaria nº 6.050/IFSP. A norma revoga a Portaria nº 4.722, de 20 de dezembro de 2019, e estabelece uma política orientada pela universalização, internacionalização e transversalidade.
A nova política institui a Comissão de Políticas Linguísticas (CPL), responsável por questões relacionadas ao planejamento linguístico estratégico para a internacionalização e pelo acompanhamento da implementação da política. A comissão elaborará planejamento estratégico anual e definirá indicadores para avaliar quantitativa e qualitativamente as ações, em consonância com a Política de Internacionalização do IFSP.
Entre os princípios estão a valorização do plurilinguismo, o respeito à diversidade linguística e sociocultural, a ampliação do acesso às línguas presentes nas comunidades acadêmicas dos campi e a acolhida e integração de pessoas em situação de vulnerabilidade ou mobilidade humana forçada. A política também estabelece a internacionalização como compromisso institucional transversal e prevê a articulação intersetorial das ações linguísticas.
Entre as ações pretende-se ampliar a oferta de cursos de línguas e de testes de proficiência, o diagnóstico de níveis de proficiência, o apoio linguístico a estudantes de diferentes culturas e a pessoas com deficiência, a oferta de atividades em Língua Estrangeira como Meio de Instrução e a disponibilização de informações institucionais em outros idiomas.
A política também relaciona as ações linguísticas à pesquisa e à extensão, por meio de intercâmbio virtual, atividades interculturais, cursos e oficinas para divulgação científica em diferentes línguas, mobilidade virtual e presencial e parcerias com entidades promotoras de diferentes línguas e culturas. Na gestão, estão previstas ações de capacitação linguística de servidores e formação continuada voltada à interação multicultural e plurilíngue.
CeLin ganha novo regulamento
Como parte desse conjunto de atualizações, a Portaria nº 6.051/IFSP aprovou o novo Regulamento dos Centros de Línguas (CeLin) e revogou a Portaria nº 2.567, de 13 de junho de 2016, que havia criado e institucionalizado os Centros de Línguas no IFSP. A revisão considera as transformações institucionais ocorridas desde a implementação dos CeLins e busca adequar sua organização, competências e funcionamento.
O novo regulamento vincula o CeLin à Coordenação de Relações Internacionais (CRI/PRX/Reitoria) e estabelece sua atuação no ensino, pesquisa e extensão, integrando ações voltadas ao desenvolvimento de habilidades comunicativas e à internacionalização. Sua missão é democratizar o conhecimento linguístico e promover a comunicação intercultural, com oferta de cursos em diferentes níveis e modalidades e com a realização de atividades culturais, educacionais, extensionistas e de pesquisa.
Entre os objetivos estão ampliar o acesso a cursos de línguas, capacitar estudantes e servidores, contribuir para a mobilidade acadêmica e a cooperação internacional, oferecer cursos para fins específicos, promover pesquisas na área, realizar intercâmbios virtuais e estabelecer parcerias com instituições estrangeiras.
O regulamento também detalha a estrutura dos CeLins nos campi, as atribuições das coordenações geral e locais, a participação de docentes e estudantes e os procedimentos para oferta dos cursos. A implementação deverá considerar as prioridades e as disponibilidades orçamentárias de cada campus e ser incorporada ao planejamento institucional.
