Por MRNews
Sargento preso por morte de capitã da PM de Minas já havia sido expulso da corporação e retornou por decisão judicial
A investigação sobre a morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos, revelou que o principal suspeito do crime, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, já havia sido desligado da corporação anos atrás por omitir informações durante seu ingresso na instituição. Posteriormente, ele foi reintegrado após decisão da Justiça.
O militar foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (20), depois de levar a esposa já sem vida ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.
Militar foi exonerado antes de retornar à PM
De acordo com informações da Polícia Militar e de documentos judiciais, Eduardo Abner foi exonerado após um processo administrativo identificar que ele havia omitido, durante o concurso para ingresso na PM, o fato de ter sido apreendido quando adolescente por porte ilegal de arma de fogo.
Na época, ele também respondeu por atos infracionais e cumpriu medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade durante seis meses.
Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin
Organizações cobram criação de Comissão da Verdade Indígena
A omissão foi considerada um fato relevante para sua permanência na corporação, resultando em sua exoneração.
Justiça determinou reintegração
Após ser desligado da Polícia Militar, o sargento recorreu à Justiça.
Em primeira instância, a exoneração foi anulada, decisão posteriormente mantida pela 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Os desembargadores entenderam que os fatos ocorreram quando Eduardo ainda era menor de idade e que ele já havia cumprido integralmente as medidas socioeducativas impostas.
Com isso, a Justiça determinou sua reintegração aos quadros da PMMG, além do pagamento dos salários referentes ao período em que permaneceu afastado.
PF cumpre mandados contra suspeitos de desviar R$ 45 milhões de contas
TSE mantém limite de R$ 133 mi para gastos de campanha presidencial
Em nota, a Polícia Militar confirmou que o policial foi inicialmente exonerado em razão da omissão de informações consideradas relevantes para o ingresso na instituição e que retornou ao serviço por determinação judicial.
Capitã chegou morta ao hospital
Segundo o boletim de ocorrência, Michele Leão Azevedo foi levada ao Hospital Odilon Behrens por volta das 21h35 de segunda-feira.
A equipe médica constatou que ela já estava sem sinais vitais e apresentava diversas lesões pelo corpo.
Entre os ferimentos identificados estavam:
- traumatismo craniano;
- corte profundo na região frontal da cabeça;
- hematomas em diferentes partes do corpo;
- lesões nas pernas;
- marcas lineares compatíveis com agressões.
Ainda conforme os médicos, as características do corpo indicavam que a morte havia ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.
Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada e o sargento acabou preso em flagrante.
Versão apresentada pelo suspeito
Em depoimento, Eduardo Abner afirmou que o casal havia realizado uma confraternização na residência na noite anterior, ocasião em que, segundo ele, ambos consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.
O militar declarou que, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais envolvendo práticas de dominação e agressões físicas.
Segundo sua versão, Michele teria caído de uma escada por volta do meio-dia, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Ele afirmou que realizou os primeiros socorros, deu banho na esposa, controlou o sangramento e a colocou para descansar.
Ainda de acordo com o depoimento, Michele teria recusado atendimento médico por constrangimento em razão do consumo de drogas. O sargento disse que ambos dormiram durante a tarde e que, ao acordar à noite, percebeu que ela não respondia aos estímulos, decidindo então levá-la ao hospital.
A defesa do policial informou que acompanha as investigações e afirmou que aguardará a conclusão dos laudos periciais antes de se manifestar de forma mais detalhada. Os advogados também destacaram a importância do devido processo legal e da ampla defesa.
Histórico de ocorrências por violência doméstica
As investigações também apontam que Eduardo Abner possuía registros anteriores relacionados à violência contra mulheres.
Segundo informações da polícia, há ocorrências registradas em 2014 e 2016.
Em dois boletins de ocorrência de 2016, uma ex-companheira relatou episódios de agressão. Em um dos registros, ela afirmou ter sido puxada pelos cabelos, arrastada até a rua, jogada ao chão e agredida com um soco no rosto.
Meses depois, a mesma mulher procurou novamente a polícia para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva concedida pela Justiça.
Caso segue sob investigação
A Polícia Civil de Minas Gerais continua investigando as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo. Os laudos periciais deverão esclarecer a dinâmica dos fatos e auxiliar na conclusão do inquérito.
Enquanto isso, o sargento permanece à disposição da Justiça, e o caso segue sendo tratado como possível feminicídio pelas autoridades responsáveis pela investigação.
