FCS Brasil
O Iluminista
26/12/2014   

O fim do embargo americano a Cuba: mais um atestado do fracasso socialista

De: Eric Balbinus de Abreu.

A retomada das relações entre Estados Unidos colocou tanto as esquerdas quanto as Direitas do continente americano em polvorosa, já que pôs termino a um dos últimos resquícios da Guerra Fria. Por incrível que pareça, a decisão do presidente Barack Obama e do ditador Raul Castro conseguiram deixar ambos os lados do espectro politico cantando vitória. Houve até quem louvasse o financiamento do Porto de Mariel pelo governo brasileiro. E o que há de verdade no anúncio dos chefes de Estado de Cuba e Estados Unidos?

O que foi anunciado pelo presidente americano e pelo ditador comunista é que os Estados Unidos e Cuba irão retomar as relações diplomáticas, depois de um acordo intermediado pelo Papa Francisco. Ou seja, a partir de agora os dois países irão iniciar o dialogo diplomático, construirão embaixadas e representações consulares e retomarão o comercio bilateral. Quanto ao embargo econômico, financeiro e comercial que já dura quase 53 anos, é certo que está com seus dias contados, e será derrubado tão logo se normalizem as relações entre os dois blocos.

O embargo foi imposto em sete de Fevereiro de 1962 pelo presidente John F. Kenedy, como sequencia as sanções comerciais adotadas pelo presidente Dwight Eisenhower. Até a adoção do embargo, os Estados Unidos eram o principal parceiro comercial e financeiro de Cuba, alimentando o turismo e a indústria, além de importar um terço do açúcar consumido da ilha. O embargo só teve um momento de mais flexibilidade durante o governo de Jimmy Carter, que permitiu que os americanos fizessem turismo na ilha, mas foi retomado durante o governo de Ronald Reagan. Como não podiam mais contar com os americanos, os cubanos se tornaram dependentes da União Soviética , que passou a consumir quase todo o açúcar produzido, além de fornecer combustível par os cubanos. Com a derrocada do bloco comunista, mais uma vez a ilha se viu carente de um grande mercado para equilibrar sua balança comercial e trazer divisas ao país. A economia enfraquecida pela revolução e pela estatização de todos os meios de produção foi fatal para Cuba, que viu os seus indicadores recuarem para índices piores do que os tempos do Fulgencio Batista. A ilha que foi um dos países mais promissores da América Latina se tornou uma favela totalitária. Diga-se de passagem, isso foi uma vitória para os lideres Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, que queriam o total fim das relações entre Cuba e Estados Unidos.

A restrição comercial, financeira e econômica a ilha serviu como munição retorica para todos os aspirantes a bolcheviques da América Latina e do mundo para insistir na falácia do imperialismo ianque, culpando os americanos pela miséria cubana. Pelo raciocínio torpe e desonesto dessas gentes, os americanos deveriam continuar a investir na ilha mesmo após os seus mandatários se aliarem aos russos e apontarem misseis para a Florida, deveriam manter o comércio e as relações diplomáticas mesmo sabendo que os parceiros queriam invadir o seu território e provocar um conflito armado com a ajuda dos russos, deveriam manter a amizade e a cordialidade mesmo com que os queriam mortos. Durante anos, o embargo foi o espantalho das esquerdas para responsabilizar os inimigos pela sua própria incompetência.

Depois de duas décadas, as circunstâncias foram favoráveis a Cuba e a condescendência de um presidente esquerdista deu salvo conduto para a família Castro. A verdade é que não só os democratas que querem o fim do embargo, setores da direita entendem que o embargo se coloca contra o livre-comércio e traz inclusive prejuízos aos Estados Unidos, que apesar das divergências ideológicas, poderiam tirar bom proveito das relações comerciais com o vizinho socialista. Há ainda quem defenda que o livre-comércio enfraquecerá o regime socialista, e acabará por levar democracia á ilha. As esquerdas latino-americanas por outro lado, veem na retomada das relações bilaterais um atestado de derrota do capitalismo americano, que mesmo enforcando a economia de Cuba não conseguiu solapar a Revolução, inclusive apontando um possível triunfo socialista nas Terras do Tio Sam. Será?

A verdade é que de fato, o fim do embargo pode beneficiar a economia cubana e sim, representa mais possibilidades de investimentos para os americanos. Mas a afirmação de que Cuba é um parceiro fundamental é um exagero enorme. Também é um exagero afirmar que a responsabilidade da miséria cubana se deve ao bloqueio econômico que só era valido para os americanos, sendo que Cuba era livre para estabelecer relações comerciais com qualquer outro país do mundo. Tanto é verdade que Cuba sempre manteve relações diplomáticas com países da Europa Ocidental como Inglaterra, Espanha, Itália e França. O Canada também é outro país que sempre manteve relações com Cuba. Se a ilha amarga na pobreza socialista, isso se deve mais aos dirigentes centralizadores do que aos capitalistas ianques. Como é típico do comunismo, o jogo é culpar o capitalismo por tudo, inclusive pelos erros do socialismo.

É um exagero acreditar que o estabelecimento de relações diplomáticas e comerciais com qualquer país leve a contaminação pelo sistema politico do novo parceiro. Nem os Estados Unidos se tornarão socialistas e nem os cubanos democráticos. O que vai acontecer é que os americanos fecharão os olhos para as violações aos direitos humanos que acontecem na ilha em troca de ganhos comerciais, enquanto Cuba levará a cabo o plano de se tornar uma China caribenha, mantendo o regime socialista enquanto se lança no capitalismo de Estado. Para os direitistas idealistas que pensam que o livre-comércio e a cooperação levarão a democracia para Cuba, o melhor é tirar o cavalinho da chuva. Essa ilusão, que tem no teórico das relações internacionais Francis Fukuyama o seu maior expoente, se provou completamente equivocada primeiro quando o presidente Richard Nixon restabeleceu relações com a China e em um segundo momento, com a queda da União Soviética. Contrariando as previsões do teórico, essa guinada ao capitalismo não trouxe a democracia que conduziria o mundo ao “fim da historia”. E para os esquerdistas que entendem ser a normatização das relações um atestado de derrota americana, não confundam piedade e conveniência com fraqueza. O presidente Barack Obama tenta imprimir sua marca em seu ultimo mandato, e tomou uma medida que de certa forma trará benefícios aos americanos, e que agrada inclusive adversários conservadores. E enfraquece um pouco a tentativa de países como o Brasil de ampliarem sua influencia geopolítica na região.

Falando em Brasil, em meio à euforia das esquerdas latinas, alguns "left tupiniquins" tentaram cavar dividendos para a presidente Dilma Rousseff com a possibilidade do fim do embargo. A jornalista da Folha Patricia Campos Mello chegou a fazer um artigo afirmando que a construção do Porto de Mariel pelo governo brasileiro tão criticada pela oposição, foi um golaço da presidente Dilma Rousseff, sendo que uma das alegadas razões para a construção foi justamente a de que por sofrer bloqueio dos americanos, Cuba se apresentava como uma possibilidade a ser explorada. Na verdade, o governo não construiu o Porto, se tomarmos como verdade o que o próprio governo petista afirmou desde o início: ele apenas financiou uma obra da construtora Odebrecht (aquela da Lava-jato) através do BNDES. Segundo que não será o Brasil quem irá operar o Porto de Mariel, mas sim a empresa PSA Internacional, de Cingapura.  O que o Brasil fez mesmo foi financiar a festa dos outros, já que não tem condições de competir com os Estados Unidos em nenhum termo, e deverá perder as propaladas possibilidades de comercio com Cuba para os concorrentes que além de competitivos, estão a menos de 150 quilômetros do Porto de Mariel. Qualquer comemoração de esquerdistas brasileiros ligando o fim do embargo a uma grande estratégia da presidente significa mais tentativa de lucrar com a desgraça do que senso de realidade. 

 



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