FCS Brasil
O Iluminista
16/12/2014   

A imprensa virou assassina de reputações

Por Eric Balbinus de Abreu.

Aparentemente, profissionais ligados à imprensa tanto aos veículos de imprensa tradicional quanto as novas mídias chegaram a um consenso: qualquer cidadão que faça oposição a presidente Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores deve ser encarado como golpista. Esse consenso deve nortear desde a cobertura de protestos contra a corrupção até a fala de lideranças religiosas e politicas, e até mesmo as manifestações espontâneas dos usuários das redes sociais. Convencionou-se a qualificar toda a oposição como sendo de “extrema-direita” e toda tentativa de vigilância e cobrança de responsabilidades do governo de golpismo.

Não se trata de um fenômeno novo. A esquerda acostumada a exercer o monopólio das manifestações populares nas ultimas décadas, não viu com bons olhos a mobilização organizada por apoiadores do candidato a presidência da Republica Aécio Neves, que levou cerca de 10 Mil pessoas a marcharem pela Avenida brigadeiro Faria Lima, as vésperas do segundo turno das eleições. Pouco depois, se viu aturdida com a mobilização do 1° de Novembro, que foi uma reação à vitória de Dilma Rousseff, vitória cercada de questionamentos legais e segredos de apuração que até agora não foram respondidos. Mesmo diante de fatos no mínimo instigantes, como a mensagem do partido guatemalteco de extrema-esquerda Alternativa Nueva Nación parabenizando a vitória de Dilma quatro dias antes da vitória e com o mesmo placar obtido pela petista nas urnas, não causaram a mínima curiosidade na nossa grande imprensa. Ninguém se preocupou em noticiar um fato tão notório, que se não se tratar de embuste ou fraude nas urnas, deveria entrar para historia como um caso de profecia tão certeira que faria inveja a Nostradamus. Não, a nossa imprensa parece ir às ruas já com uma certeza, e não com a missão de averiguar os fatos.

Com a vitória da presidente Dilma, a imprensa que durante as eleições chegou a agir de maneira tímida na luta pela liberdade de expressão, apontando as tentativas do governo de pautar a imprensa e a sua aproximação com regimes totalitários, resolveu se acovardar de vez. No SBT, Silvio Santos resolveu abortar o programa jornalístico de Rachel Sheherazade, além de impedir que a âncora manifeste suas opiniões de maneira definitiva. Jornais acusados pela esquerda de fazerem ferrenha oposição ao PT simplesmente entregaram os pontos, destacando repórteres ligados ao partidão para cobrirem as manifestações que pedem o impeachment de Dilma Rousseff. Tanto que o jornalista Gustavo Uribe reduziu os milhares que marcharam na Avenida Paulista no dia 1° de Novembro para “cerca de mil”. Mesmo em um universo de mil pessoas, Gustavo Uribe e seu amigo pessoal Ricardo Chapola conseguiram uma verdadeira proeza ao entrevistarem o mesmo manifestante, um tal Sergio Salgi. Pouco depois a Folha corrigiu o numero para 2.500, mas o estrago já estava feito. Nesse mesmo dia o humorístico CQC mandou Felipe Andreoli cobrir o evento, da forma mais cínica possível. O humorista foi hostilizado pelos manifestantes. Como vingança, o CQC mandou um repórter ainda mais chapa branca para cobrir os protestos do dia 15, o infame Guga Noblat.

O destaque da cobertura que Guga Noblat fez dos protestos do dia 15 se dá pela maneira como ele reagiu aos protestos contra sua presença. Embora não tenha sido agredido como costuma acontecer em protestos promovidos pela extrema-esquerda, o jornalista acusou os manifestantes de terem ódio contra “comunistas, gays e minorias”, Certamente esse foi um dos que faltaram as aulas de Historia. Mas sigamos em frente.

Os grandes jornais se calaram. A Globo só tratou dos protestos em seus portais na internet e mais nada. SBT e Record idem. Folha e Estadão se preocuparam mais em desqualificar os manifestantes do que os fatos e as pautas. O colunista e articulista da Folha Ricardo Melo chegou a se referir as marchas como “tragicômicas”. Laura Capriglione chamou a todos de bandidos, nazistas e racistas. As exceções foram as revistas Isto É e Veja.

E não para por aí. Os recentes episódios da LDO, dos desdobramentos da Operação Lava-Jato e das falas do deputado Jair Bolsonaro também refletem o mesmo contexto que dá o tom quando se trata da cobertura que a imprensa mainstream tem feito das manifestações: a maioria dos profissionais tem pautado o seu trabalho ou pelo medo ou pela conveniência ideológica.

Nos casos da LDO e da Operação Lava-Jato, vários profissionais de imprensa tem se esforçado em amenizar os crimes de responsabilidade do governo Dilma e os escândalos do Petrolão. Há jornalistas fazendo piruetas para tentar envolver o governo de FHC na historia. Acusam a oposição de “trabalhar contra o Brasil”. Acusam Aécio de agir com discurso de ódio. Atribuem aos manifestantes à pecha de golpistas, de racistas e até nazistas. Com Bolsonaro, querem dinamitar um baluarte do conservadorismo por temerem o papel de liderança que pode exercer na próxima legislatura, já considerada a mais conservadora desde 1964. Nesse quesito até a Veja abraça o discurso de que o deputado disse “que não estupraria Maria do Rosário porque ela não merece ser estuprada”, distorcendo os fatos e estuprando a verdade, ignorando que foi a petista quem acusou o deputado de estuprador.

A imprensa brasileira nunca viveu um momento tão deprimente em toda a sua existência. A coragem dos que trabalharam pela verdade no Estado-Novo e mesmo nos anos de Regime Militar, parece ter sumido. Hoje os que não se acomodam no refúgio dos covardes, temerosos de perderem verbas estatais para seus jornais, usam o espaço que deveria servir para informação e divulgação dos fatos para fazer proselitismo ideológico. Não se sabe se isso se dá pelo avanço da tecnologia, mas a verdade é que poucos jornalistas tem a coragem de acompanhar uma manifestação de opositores pedindo impeachment. Chamam um protesto apoiado por lideranças da Esquerda democrática como Eduardo Jorge de extrema-direita, chamam trabalhadores e estudantes de racistas, ignorando que muitos negros participam de tais atos, como este que escreve este texto. Criam uma luta de classes onde não há. Ignoram que durante os atos não se quebrou uma vidraça, que o comercio continuou aberto e não houve sequer um registro policial. Ou o fazem por canalhice, como os portais Opera Mundi, Conversa Afiada e UOL, que ao longo dos últimos anos tiveram seus caixas engordados por verbas estatais mais por conta da sua atuação progressista do que pela sua audiência. Os profissionais de imprensa honestos deveriam entender de uma vez por todas que o exercício da sua função está condicionado à democracia, que o inimigo é quem ameaça essa condição. E não quem vai às ruas pedindo liberdade de imprensa, fim da impunidade e que os corruptos paguem por seus maus-feitos. O jornalista não pode renunciar ao seu papel de defensora da democracia para agir como capitão do mato e assassino de reputações a mando de qualquer governo ou ideologia que seja.

São Paulo, 10 de Dezembro de 2014.



COMENTE ESTE E OUTROS POSTS NA FAN PAGE OFICIAL NO FACEBOOK: www.facebook.com/fanpageoficialfolhacentrosul








Somos realistas e meritocratas, apenas isso. As grandes coisas feitas pela humanidade não seriam possíveis, sem trabalho, esforço, sangue, suor, Meritocracia. Jamais! O socialismo, o comunismo e todos os sistemas políticos e filosóficos já ultrapassados [+]Leia Mais

Arquivos

2017

2016

Dezembro

Novembro

Outubro

Setembro

Agosto

Julho

Junho

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

2015

Dezembro

Novembro

Outubro

Setembro

Agosto

Julho

Junho

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

2014

Dezembro

Novembro

Setembro

Agosto

Julho

Junho

Maio

Abril

Março

Fevereiro

Janeiro

2013

Novembro

Outubro

Setembro

Agosto

Julho

Junho

Mídia Do Povo Brasileiro!

Mídia Do Povo Brasileiro!

×

Sugeridos

© Todos os direitos reservados

[email protected]

X