FCS Brasil
O Iluminista
26/08/2013   

POR QUE AS CRIANÇAS SE SUICIDAM?

      

Segundo o Psiquiatra Infantil Márcio Candiani o suicídio entre crianças de 10 a 15 anos é maior do que se imagina e é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países.

Quem se lembra do livro "Os Sofrimentos do Jovem Werther" de Goethe? O filme "A sociedade dos Poetas Mortos" de Peter Weir? São obras que mostram o suicídio de adolescentes e jovens em épocas 'românticas' e que chamam a atenção para o drama pessoal, íntimo e recôndito que as personagens vivem, tendo sempre um desfecho trágico. Quando da publicação do livro "Os Sofrimentos do Jovem Werther, dizem que mais de 300 jovens se suicidaram após ler a história e identificarem-se com as personagens ao analisar as próprias vidas. É importante salientar que o suicídio entre crianças, adolescentes e jovens é mais antigo do que se possa imaginar e, tal como ocorre com adultos, em 99% dos casos, segundo os especialistas e estudiosos, tem origem psicológica/psicossomática cujos indícios muitas vezes não são levados à sério pelas pessoas que estão ao redor dos suicidas. Com efeito, também não podemos esquecer que além do suicídio violento há o suicídio lento consciente, semi-consciente e inconsciente quando os indivíduos passam anos tendo como inofensivos alguns hábitos como beber, fumar ou usar drogas.

Leia também: A cada ano, 102 adolescentes entre 10 e 14 anos cometem suicídio no Brasil

Taxa de suicídio entre jovens cresce 30% em 25 anos no Brasil

Por que as crianças se suicidam?

Artigo: Suicídio na Infância e Adolescência

Texto de: Márcio Candiani/Psiquiatra Infantil CRM-33035

O suicídio é hoje a terceira causa de morte na adolescência e a tentativa de auto-extermínio a principal causa de emergência psiquiátrica em hospitais gerais. Nos últimos 10 anos, têm aumentado as taxas de tentativa de suicídio e suicídio consumado em jovens. 98% das pessoas que cometem suicídio apresentam algum transtorno mental à época do Suicídio (Flesmann, 2002), especialmente transtorno do humor (depressão, bipolar, etc).

Mais de 70% das crianças e adolescentes com transtornos de humor grave não apresentam sequer diagnóstico que dirá tratamento adequado.  Em média, um único suicídio afeta outras seis Pessoas (Fleishman, 2002). Muitas vezes o suicídio é omitido pela família, que apresenta dificuldade e preconceito para lidar com esta difícil questão (Bertolote, 2004).

O suicídio é uma das 10 maiores causas de morte em todos os países.

Homens cometem suicídio quatro vezes mais do que as mulheres e estas últimas tentam suicídio mais vezes, com métodos, porém menos letais.

A baixa incidência do suicídio em crianças está relacionada a maior dificuldade de acesso a métodos letais e imaturidade cognitiva.

No Brasil, a taxa de suicídio em jovens entre 15 a 24 anos aumento 20 vezes de 1980  para 2000, principalmente entre homens (Wang, Bertolote, 2005).

SUICÍDIO NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

A ideação suicida é comum na idade escolar e na adolescência; as tentativas, porém, são raras em crianças pequenas. Tentativas de suicídio consumado aumentam com a idade, tornando-se comuns durante a adolescência. Crianças se suicidam com fatores desencadeantes: discussão com os pais, problemas escolares, perda de entes queridos e mudanças significativas na família.

Até os 6 a 7 anos a criança encontra-se na fase do pensamento pré-lógico, com predomínio do pensamento mágico com dificuldade de simbolizar  e conceituar o que chega sob forma de percepção. No seu modo egocêntrico e animista de pensar, a criança não admite a existência do acaso, já que relaciona todos os eventos a suas próprias experiências (Assumpção, Tratado de Psiquiatria).

Nesta fase, a idéia de morte é limitada e não envolve uma emoção em especial.

O pensamento mágico vai sendo substituído pelo raciocínio lógico e a morte para de ser vista como processo reversível e torna-se uma idéia de processo de deterioração do corpo irreversível; sem preocupação, porém com o que virá após a morte.

Aos 11 a 12 anos, há passagem do pensamento concreto para o pensamento abstrato, Estágio das Operações Formais (PIAGET , 2000). Nesta etapa surge a preocupação com a vida após a morte (Toress, 1999).

O jovem entra no mundo através de profundas alterações no seu corpo, deixando para trás a infância e e é lançado num mundo desconhecido de novas relações com os pais, com o grupo de iguais e com o mundo.

Assim, invadido por forte angústia, confusão e sentimento de que ninguém o entende, que está só e que é incapaz de decidir corretamente seu futuro.

Isso ocorre, principalmente, se o jovem estiver num grupo familiar também em crise, por separação dos pais, violência doméstica, alcoolismo ou doença mental de um dos pais, doença física ou morte (Resmini, 1997).

O jovem que considera o suicídio comum para a solução de seus problemas deve ser observado de perto, principalmente se estiver se sentindo só e desesperado, sofrendo a pressão de estressares ambientais, insinuando que é um fardo para os demais. Pode chegar a dizer que a sua morte seria um alívio para todos.

FATORES DE RISCO

90% dos jovens apresentam algum transtorno mental no momento do suicídio (e em 50% destes o transtorno mental já estava presente havia pelo menos 2 anos).
Agressividade e desesperança são os fatores mais comuns (Shaffer, 1996).
Comportamentos de risco: envolvimento em esportes radicais sem técnica e equipamentos adequados, dirigir embriagado, uso abusivo de drogas ilícitas, atividade sexual promíscua, brigas constantes e de gangues.
Fatores Cognitivos que indicam risco para uma primeira tentativa ou recorrência do comportamento suicido nesta população (Kuczynsky, 2003):

- Desesperança

- Menor potencial para geração de soluções alternativas para situações problemáticas interpessoais e menor flexibilidade para enfrentar situações problemáticas

- Estilo de atribuição disfuncional (considerar eventos negativos comode sua responsabilidade, duradouros ou de impacto sobre todos os aspectos de sua vida) – freqüente associação com quadros depressivos de longa evolução

 - Impulsividade.

- Violência Física e Sexual (Shaffer, 2001)

- Fatores Sócio-Culturais: sucesso escolar (cobrança dos pais), mudanças sociais abruptas, acesso fácil a armas de fogo.

SUICÍDIO E TRANSTORNOS DO HUMOR

Os transtornos mentais mais comumente associados ao comportamento suicida são depressão, mania ou hipomania, estados mistos ou ciclagem rápida, transtornos de conduta e abuso de drogas (Shafer, 2001)

Mas crianças e adolescentes com humor irritável, agitação psicomotora, delírios, crise de violência súbita e alucinações auditivas também apresentam alto risco de suicídio a curto prazo.

Num estudo prospectivo com adolescentes deprimidos, houve 50,75 %de tentativa e 7,7% suicídios cometidos na amostra de Weismman (1999).

Pacientes com Transtorno bipolar apresentam risco 10 vezes maior do que a população normal de cometer suicídio.

O grupo com maior risco de suicídio é de homens jovens, em fase inicial da doença, principalmente que tenham feito um a tentativa prévia de suicídio, que abusam de álcool ou recém saídos de internação psiquiátrica. Risco maior também está nos pacientes com estados depressivos, mistos ou mania psicótica (Simspon e Jamison 1999).

Geller ET all (1998) observaram que sérias intenções  e pensamentos suicidas ocorriam em 25,2% das crianças com transtorno bipolar estudadas.

Strober ETA AL (1995) em estudo prospectivo de 5 anos com adolescentes com transtorno bipolar notaram sérias tentativas de suicídio em 20,4% dos pacientes, principalmente naqueles com pouca adesão ao tratamento.

Quanto mais precoce o início do quadro de transtorno bipolar, mas grave é sua apresentação e pior o seu prognóstico.

Estes pacientes apresentam mais sintomas psicóticos e maior incidência de fases mistas, aumentando o risco de tentativas de suicídio (Schurhoff etall 2000).

MITOS E VERDADE DE COMPORTAMENTOS SUICIDAS

Fonte: Lee  Fu-I (TR. Bipolar na Infância e Adolescência, pg74, 2007,)

MITOS

- Quem quer se matar não avisa!
- Um suicida quer realmente morrer?
- Suicídio é covardia ou coragem?
- O suicida tem que estar deprimido?

VERDADES

- 80% avisam que vão se matar!
- O suicida não quer morrer e sim parar de sofrer!
- O suicídio é visto como uma solução!

CASOS DE TENTATIVAS DE SUICÍDIO COM GRANDE RISCO DE NOVA TENTATIVA

Ainda com ideação suicida
Sexo masculino
Idade Superior a 16 nos
Falta de suporte familiar
Humor deprimido ou estado misto
Ansiedade Extrema
Uso concomitante de álcool e drogas
Agitação Psicomotora
Episódios de Violência direcionada a outras pessoas
Presença de sintomas psicóticos (alucinações e delírios)

RECOMENDAÇÕES AO SE AVALIAR CRIANÇAS E ADOLESCENTES QUE TENTARAM SUICÍDIO

Todas as ameaças de suicídio devem ser encaradas com seriedade, mesmo quando possam parecer falsas ou manipulativas
Ajudar o cliente a avaliar a situação, permitindo que ele descubra novas soluções para seu sofrimento, explorar com ele tais soluções e orientá-lo em direção a uma ação concreta.
Procurar compreender as razões pela qual a criança ou adolescente optou pelo suicídio como forma de lidar com seu sofrimento, não minimizando seus problemas e sofrimento
Transmitir esperança sem dar falsas garantias e não fazer promessas que não possam ser cumpridas
Romper o isolamento em que vive o jovem e abordá-lo diretamente
Expressar disponibilidade de escutá-lo sem julgamento, evitar insultos, culpabilização ou repreensões morais.
Reconhecer a legitimidade do problema e tratá-lo como adulto
Avaliar a urgência do caso, verificar se as idéias de suicídio são freqüentes e se o jovem apresenta meios para executá-lo
Não deixar o cliente sozinho até que as providências sejam tomadas.
Desmentir o mito de que os adultos não podem mais ajudá-lo
Envolver a família
(Adaptado de Bouchard, 2001,

QUESTÕES QUE AJUDAM A AVALIAR A INTENÇÃO SUICIDA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Você já se sentiu chateado alguma vez em que desejou morrer?
Alguma vez você fez algo que sabia ser perigoso o bastante para você se machucar ou até mesmo morrer fazendo isto?
Alguma vez você tentou se machucar?
Alguma vez você já tentou se matar?
Você às vezes pensa em se matar?
(Adaptado de Jacobson, ETA AL 1994

SINAIS POSSÍVEIS DE IDEAÇÃO SUICIDA EM ADOLESCENTES COM TRANSTORNO BIPOLAR

Humor deprimido
Queda do rendimento escolar
Aumento do isolamento social
Perda de interesse em atividades que antes davam prazer
Mudança na aparência (negligência ou desleixo aos cuidados pessoais)
Preocupação com temas relacionados a morte
Aumento da irritabilidade, crises explosivas de raiva
Alterações no comportamento
Desfazer de pertences
Uso de álcool ou drogas
Mudança no padrão do sono e/ou apetite
Uso de expressões verbais “auto-destrutivas”- “Queria morrer”
Não se importa em fazer planos para o futuro
(Fonte: Popolos e Papolos, 2002).

 VEJA TAMBÉM: MÉDIUM ESPÍRITA DIVALDO FRANCO FALA SOBRE O SUICÍDIO DE SUA IRMÃ NAIR

AINDA: CHICO XAVIER FALAVA SOBRE AS DIVERSAS CONSEQUÊNCIAS E COMO PODE SER O ATENDIMENTO DE CADA CASO DE SUICÍDIO NO MUNDO EXTRAFÍSICO:



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