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24/12/2016   

PCC quer eliminar o Comando Vermelho, tomar o poder no RJ e depois no Brasil

Primeiro vão tomar o RJ, depois o Brasil.

A polícia está sem capacidade de responder à força descomunal dos narcotraficantes. Somente o Exército, as Forças Armadas são capazes de lidar com esse tremendo problema. E olhe lá.

O poder financeiro das organizações criminosas é incaculável e suas ações, dentro e fora do presídio, comprovam que o grau de corrupção a que chegou o Brasil é muito maior do que se imagina, transcende e muito o setor político.

Afinal, como é que PCC, Comando Vermelho e outras facções criminosas enriquecerem tanto e ainda agem livremente, senão com a vista grossa e até o apoio de forças policiais, com a vista grossa das forças armadas, e com a participação de políticos de todos os níveis, de vereadores a senadores e ministros, além de juízes e ministros das altas cortes?

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O que o PCC está fazendo é a mesma coisa que tentou Pablo Escobar na Colômbia, isto é: ser absoluto no Narcotráfico, no tráfico de armas, na matança, e chegar à presidência da República, dominar o poder político, com dinheiro e com terror, para estebelecer um reinado das trevas com o ar de 'ajuda aos pobres' e com o discurso barato de 'paz, justiça e liberdade'.

O povo deve exigir, aos milhões nas ruas, que as Forças Armadas façam alguma coisa, enquanto é possível e eliminar essa tropa de terroristas que mantém o povo brasileiro refém do crime organizado e do narcotráfico.

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Aliados há cerca de duas décadas, o PCC resolveu romper com o Comando Vermelho, mais de um ano atrás,mas seu divórcio oficializou-se apenas em outubro com um banho de sangue em presídios do norte do país, onde 21 presos foram assassinados.

Bandidos que antes conviviam em sintonia nas ruas, nas fronteiras e nas prisões, pedem agora transferência de presídios para não dividir mais o mesmo espaço e se manter vivos.

Os traficantes de São Paulo querem agora avançar no terreno dos velhos sócios e começaram cooptando aliados nas cárceres, centros operacionais e residência das cúpulas do crime no Brasil.

A ofensiva, que mais parece uma estratégia de expansão empresarial, contempla também acordos comerciais com outras facções criminosas e o monopólio da distribuição de drogas e armas na favela considerada como a mais rentável do Rio, a gigantesca Rocinha, na rica Zona Sul.

O objetivo é aumentar o lucro e enfraquecer o novo inimigo.

“Aquela raça do CV vai se foder com nós”, revelam as escutas dos paulistas nas suas celas.

Parte da estratégia do PCC, cuja organização se assemelha cada vez mais a de uma grande corporação – tem até uma Diretoria de Relações Institucionais –, ficou registrada em mais de 1.500 grampos captados pela polícia em prisões de todo o país, entre fevereiro e outubro desse ano.

Neles, membros do PCC convencem presos, que seriam chefes de pequenas favelas do interior do Rio dominadas pelo CV, a integrarem o bando paulista.

O PCC delegou a função de batizar via telefônica – expressão usada no crime para o recrutamento de novos integrantes – a Gledson Fernandes, o Fantasma.

O criminoso cumpre 20 anos de prisão por furto, roubo e associação criminosa em Piraquara, no Paraná, penitenciária de segurança máxima, onde, como demostrou a investigação, os presos fazem teleconferências à vontade.

O criminoso atraiu os cariocas sem maiores dificuldades. O PCC oferece uma estrutura aos seus membros que o CV, considerado mais sanguinário que organizado, não tem: assistência jurídica, empréstimo de armas e drogas, apoio no Brasil todo e nos países vizinhos onde o PCC tem ramificações, e melhores condições na prisão, de TV de plasma à frango frito para o jantar. Uma reportagem da Ponte revelou que o PCC também oferece aos seus integrantes seguro médico e funerário, caso a empreitada criminosa de errado.

Em troca pede fidelidade, a aceitação do estatuto do comando e uma caixinha mensal de 400 reais, que serve para sustentar os irmãos presos. Veta-se o consumo de crack e questiona-se a possibilidade de o novo membro ser homossexual.

O pacto é vitalício. A saída da facção para uma outra considera-se traição e paga-se com a morte, alerta o Fantasma, que até o final da investigação, comandada pelo delegado Antenor Lopes, somava 90 novos membros batizados em celas cariocas.

O objetivo é conseguir uma prisão própria no Rio, onde o PCC seja o líder e comandar dai as operações num grande território do Brasil onde os paulistas ainda não tinham estendido seus tentáculos.

As ligações telefônicas de Fantasma a presídios do Rio se traduziram na cooptação de chefes do Comando Vermelho em sete municípios do Estado (Saquarema, Petrópolis, Macaé, Rio Bonito, Rio das Ostras, Três Rios e Paraíba do Sul). São favelas e líderes de pouca monta, se comparados com o poderio do CV na capital, mas estão encravados em lugares estratégicos, próximos de vias de fuga, corredores onde passam armas e drogas na rota do tráfico.

A polícia e os setores de inteligência especulam ainda sobre os motivos do racha entre as duas maiores facções criminosas do Brasil.

A investigação aponta vários acontecimentos que levaram o PCC a romper seu pacto de não violência com os cariocas. Entre eles há dívidas não quitadas do CV ao comprar drogas e armas, o conflito armado que o CV trava com outras duas facções nas favelas do Rio, e a associação dos cariocas a criminosos rivais do PCC no Norte e Nordeste do país.

Intrigas entre bandidos que escancaram que os paulistas, organizados, com um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e com a visão de uma multinacional, cansaram dos cariocas, devedores e informais, além de desgastados pela guerra de território com outras duas facções do Rio, Amigo dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando Puro (TCP).

Um dos policiais envolvidos na investigação e que ouviu cerca de 2.000 de horas de conversas ilustra assim as diferenças que separam as visões de negócio de ambas facções: “As lideranças do PCC que ouvimos nas ligações são muito mais articuladas, enquanto as do CV você tem que fazer um esforço para entender o que elas dizem, as conversas estão cheias de gírias. No CV você vê pobreza, mas no PCC você vê que está integrado na sociedade. O dinheiro do PCC está em bancos, em postos de gasolina, em aluguel de apartamentos. O do CV está em sacolas escondidas na parede”.

PRIMEIRO O RIO DEPOIS O  BRASIL

O líder do PCC responsável pela expansão no Rio deixa claro que os paulistas não pretendem participar da rivalidade que domina os morros cariocas e que o inimigo é muito maior: o Estado.

“Essa guerra que o CV tem com o Terceiro Comando e com o ADA, não é nossa [...] Quem tem guerra é o CV. Até mesmo, se o crime do Rio de Janeiro fosse unido, se eles não ficassem um se digladiando contra o outro, querendo matar um ao outro, vocês podem ter certeza que o sistema carcerário do Rio de Janeiro não ia estar esse massacre que vocês vêm passando, não. Mas eles preferem ficar se matando, no lugar de se unirem e lutar contra o Governo. Que nossa guerra é contra o Governo, entendeu?!”, adverte o Fantasma, em uma das teleconferências grampeadas, obtidas pelo EL PAÍS e que foram divulgadas pela revista Veja.

O interesse do PCC por se instalar no Rio chega no pior momento.

O Estado está enfraquecido economicamente, tem sérias dificuldades para pagar seus servidores –os policiais incluídos – e está vendo os índices de criminalidade crescerem.

A chegada de uma nova facção muito mais sofisticada que as cariocas e que controla toda atividade criminosa em São Paulo e boa parte do país sem que as autoridades consigam enfraquecê-la é um pesadelo para qualquer especialista em segurança pública.

"A preocupação do Rio de Janeiro começa pelo narcotráfico, mas não termina ai. O PCC vai avançar em outras atividades criminosas no Estado. Você vai ter uma faccão com grande poder de mobilização, em um Estado em xeque, fragilizado, sem dinheiro para investir, e com policiais sem receber o salário”, lamenta Paulo Storani, antropólogo e ex-capitão do Bope.

Storani teme um agravamento da violência no Rio com a penetração do PCC.

“Para contê-lo é necessário a força policial, mas a polícia está sem capacidade de responder prontamente, não tem força”, afirma Storani, que critica a ausência de um plano nacional de segurança pública e a “omissão” do Governo brasileiro no combate ao crime organizado. (LEIA MAIS EM EL PAÍS)





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